segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Se um não está bom, dois não seria demais?



 Após calcular os possíveis prejuízos na elaboração de dois exames por ano, o MEC cancela edição de abril do Enem de 2012.



Por Mara Santos


De longe se percebe a pane no Ministério da Educação nos processos de elaboração, execução e agora correção do Exame Nacional do Ensino Médio.A decisão tomada a partir de uma publicação no Diário Oficial da União de 20 de maio de 2011, determinou que o Enem seria realizado  neste ano  duas vezes, sendo a primeira edição nos dias 28 e 29 de abril e posteriormente, sem data prevista, a segunda.

O fato é que nos últimos anos, as provas, mais do que os destinatários, têm provado a incompetência no próprio desenvolvimento das mesmas, evidenciando que a educação no Brasil realmente não vai bem “E nem” o setor responsável pela sua organização.

Vale salientar que o ministro da Educação Fernando Haddad, que em plena crise em seu ministério, pula do barco e nada rumo a sua campanha eleitoral para a prefeitura de São Paulo, ainda subestima a inteligência  dos estudantes brasileiros quando alega que seus opositores políticos partidários estão tentando “MACULAR” o Enem,  de acordo  reportagem de Vera Rosa e Lisandra Paraguassu, publicado em O Estado de S.Paulo no dia 20 de Janeiro.

Desde dezembro, quando saiu o resultado da edição de 2011, estudantes têm entrado na Justiça para conseguir ver a correção de suas provas, no intuito de identificar possíveis erros dos corretores e solicitar revisão de nota. Segundo o MEC, mais de cem participantes já tiveram a nota da redação alterada, mas nem todos precisaram entrar na Justiça.

Por causa dessas e outras, na última terça-feira (17), foi concedido pela Justiça Federal no Ceará o direito aos 4 milhões de estudantes  brasileiros, que fizeram a prova do Enem 2011 a terem acesso às cópias das provas de redação, e respectivos espelhos de correção, mas na quinta- feira (19), o MEC divulgou que o juiz federal da 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro, Rafael de Souza Pereira Pinto, indeferiu o pedido. Neste sentido, Fernando Haddad afirmou que o Inep não teria condições "tecnológicas" de viabilizar a entrega das provas a todos os estudantes.

Diante disto, surge do meu pouquíssimo entendimento, uma pequena dúvida: será que realmente negar o direito do estudante ter acesso aos seus supostos erros é somente uma questão técnica ou também um ato de prevenção a possíveis transtornos?  Tendo em vista que tal atitude traria a tona outro questionamento: a capacidade intelectual de quem está corrigindo as redações.

Após uma reunião composta pelo secretário-executivo do MEC, Jose Henrique Paim Fernandes, a direção do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e representantes da empresa Modulo Security o MEC decidiu na tarde de sexta-feira (20) cancelar a edição de abril do Enem 2012.



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