Após calcular os possíveis prejuízos na elaboração de
dois exames por ano, o MEC cancela edição de abril do Enem de 2012.
Por Mara Santos
De longe se percebe
a pane no Ministério da Educação nos processos de
elaboração, execução e agora correção do Exame Nacional do Ensino Médio.A
decisão tomada a partir de uma publicação no Diário Oficial da União de 20 de
maio de 2011, determinou que o Enem seria realizado neste ano
duas vezes, sendo a primeira edição nos dias 28 e 29 de abril e posteriormente,
sem data prevista, a segunda.
O fato é que nos
últimos anos, as provas, mais do que os destinatários, têm provado a
incompetência no próprio desenvolvimento das mesmas, evidenciando que a
educação no Brasil realmente não vai bem “E nem” o setor responsável pela sua
organização.
Vale salientar que
o ministro da Educação Fernando Haddad, que em plena crise em seu ministério,
pula do barco e nada rumo a sua campanha eleitoral para a prefeitura de São
Paulo, ainda subestima a inteligência dos estudantes brasileiros quando
alega que seus opositores políticos partidários estão tentando “MACULAR” o
Enem, de acordo reportagem de Vera Rosa e Lisandra Paraguassu, publicado
em O Estado de S.Paulo no dia 20 de Janeiro.
Desde dezembro,
quando saiu o resultado da edição de 2011, estudantes têm entrado na Justiça
para conseguir ver a correção de suas provas, no intuito de identificar
possíveis erros dos corretores e solicitar revisão de nota. Segundo o MEC, mais
de cem participantes já tiveram a nota da redação alterada, mas nem todos
precisaram entrar na Justiça.
Por causa dessas e
outras, na última terça-feira (17), foi concedido pela Justiça Federal no Ceará
o direito aos 4 milhões de estudantes brasileiros, que fizeram a prova do
Enem 2011 a terem acesso às cópias das provas de redação, e
respectivos espelhos de correção, mas na quinta- feira (19), o MEC divulgou que
o juiz federal da 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro, Rafael de Souza Pereira
Pinto, indeferiu o pedido. Neste sentido, Fernando Haddad afirmou que o Inep
não teria condições "tecnológicas" de viabilizar a entrega das provas
a todos os estudantes.
Diante disto, surge
do meu pouquíssimo entendimento, uma pequena dúvida: será que realmente negar o direito do
estudante ter acesso aos seus supostos erros é somente uma questão técnica ou
também um ato de prevenção a possíveis transtornos? Tendo em vista que
tal atitude traria a tona outro questionamento: a capacidade intelectual de
quem está corrigindo as redações.
Após uma reunião
composta pelo secretário-executivo do MEC, Jose Henrique Paim Fernandes, a
direção do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e
representantes da empresa Modulo Security o MEC decidiu na tarde de sexta-feira
(20) cancelar a edição de abril do Enem 2012.