Por Adrêza Benevides
Vocês
viram? Um jovem tailandês Chadil Deffy, de 28 anos casou-se com a sua namorada
Ann, MORTA. É isso mesmo, a sua namorada morreu no reveillon, entre os dias
31/12 e 01/01. O jovem rapaz anunciou a cerimônia de casamento no seu
facebook e convidou familiares e amigos. O casamento aconteceu em 4 de janeiro
na província de Surin, no noroeste do país, em cerimônia budista acompanhada
por seus familiares e amigos.
“Nosso
amor foi algo muito grande, mas por lástima não podemos viajar ao passado e
mudá-lo. A vida é curta, e hoje realizo meu desejo e agradeço a todos os que
estão presentes”, manifestou o namorado na lúgubre cerimônia.
As
imagens da cerimônia de casamento foram transmitidas pela TV tailandesa, quase
30 mil pessoas acompanharam e comentaram através da sua página numa rede
social. As fotos mostram a jovem deitada vestida de noiva durante o casamento,
enquanto Chadil colocava a aliança em seu dedo e a beijava na mãe e na testa.
Para
o Chadil, o melhor presente ainda estar por vir, será ver cumprido seu desejo
de reencontrar a amada em sua próxima vida.
Surrealismo
ou loucura?
O
artista, o apaixonado é, de alguma forma, mais ou menos neurótico, se
considerarmos que “a obra de arte” -e nesse caso eu ouso admitir que o amor é
uma obra de arte- é sempre a expressão de um desejo quase sempre
recalcado: o preenchimento de um vazio. Michel Focault escreveu: O louco tende
a ser considerado um sábio e a loucura uma forma de conhecimento; no segundo, a
loucura é vista como doença , como uma degenerescência do ser humano, e o louco
passa a ser um indivíduo marginal à sociedade e, por conseguinte, perigoso para
ela e para si próprio.
O Surrealismo
é definido como automatismo psíquico puro pelo qual se pode exprimir, seja
verbalmente, seja por escrito, seja por qualquer outra maneira, o funcionamento
real do pensamento. Ditado do pensamento, na ausência de todo o controle
exercido pela razão, fora de toda a preocupação estética ou moral.
Uma cena tão exótica,
tomada de ousadia e preocupação alheia, bonita, e talvez só os loucos como
Nelson Rodrigues, Clarisse Lispector, Caio Fernando Abreu admitissem e
levantassem a bandeira para o Chadil, o romântico vivo do século XXI por
essa prova de um amor imensurável capaz de provar ao mundo que o amor existe
mesmo depois da morte. Louco, são aqueles seres capazes de subir a um palco
fazerem milhões de promessas e não cumprir.
Loucura é fazer juras e prometer
lealdade a uma profissão e a descumprir, é desamar, deixar de cuidar. Loucura?
Loucura é não amar.

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